O mel brasileiro, mas brasileiro mesmo, produzido pelas abelhas nativas, sem ferrão, está em alta
Um reconhecimento tardio e, aliás, muito merecido..
Só nos últimos 20 anos chefs e estudiosos do mundo todo redescobriram a variedade de sabores, ácidos, doces e até salinos, que chamou a atenção dos europeus desde que os portugueses chegaram aqui em 1500.
O mel era um dos sustentos dos povos originários que batizaram nossas abelhas com nomes tão saborosos de pronunciar como jataí, uruçu, tubuna, borá, mandaçaia...
Relatos de estrangeiros que vieram ao Brasil, como Hans Staden e o Padre Anchieta, confirmam o valor do mel para quem percorria as selvagens terras brasileiras.
Na literatura, o mel virou símbolo da nossa identidade a partir de Iracema, de José de Alencar. Ele dava "o doce veneno" dos lábios da índia, a lendária virgem dos lábios de mel. Segundo o livro, a jovem levava, em sua cesta, abre aspas: o resto da caça, a farinha d’água, os frutos silvestres, os favos de mel.
Além dos sabores exóticos, o fato das nossas abelhas nativas não terem ferrão também encantava os europeus que não precisavam, assim, ter medo de serem picados.
Mas afinal por que passamos séculos sem falar das abelhas brasileiras?
A razão é simples: a quantidade falou mais alto que a qualidade.
Com a população do país crescendo, a demanda foi aumentando e a produção das abelhas nativas é pequena, limitada, bem menor do que a do mel europeu.
Até o momento.
O movimento da gastronomia de valorizar a biodiversidade resgatou o interesse pelas espécies que fazem os méis únicos e especiais da mata atlântica.
Ou seja, agora, a qualidade pesa mais na balança.
