Em 1843, a princesa napolitana Teresa Cristina, noiva de Pedro II, desembarcava no Rio de Janeiro. A reboque, uma grande quantidade de imigrantes italianos, inclusive da Reggio Calabria.
É daquela região que vem a nduja, um salame pastoso e apimentado, que na charcutaria Porco Alado, de Breno Furtado, é feito com a nobre gordura do porco nativo da raça Nilo.
“A nduja foi um salame difícil de começar a fazer. É um salame pastoso, com textura de patê, bastante apimentado e que tem um processo de fermentação bastante diferente dos salames convencionais. É uma fermentação muito quente, com muita levedura. Ela tem 60% de gordura exclusivamente de porco Nilo, o que dá mais sabor ainda e textura.”
Das montanhas de Nova Friburgo para as montanhas de Nogueira, a nduja está no menu degustação do Angá, conhecido pela gastronomia autoral brasileira. A chef Lydia Gonzalez descreve o prato que leva o embutido feito com porco nativo:
“O prato é um olho de cão na brasa, com um molho à base de castanhas e pimentas e pimentões. O segundo molho é à base de cebola tostada e nduja com abacaxi e biju de tapioca”.
