Rio de Janeiro: Mère Louise e a descoberta de Copacabana

por Aureo Fernandes | mar 24, 2025 | Identidades Gastronômicas

Rio de Janeiro: Mère Louise e a descoberta de Copacabana

Bem em frente a onde, hoje, é a colônia de pescadores z-13, em Copacabana, na esquina das atuais Francisco Otaviano com Avenida Atlântica, surgiu em 1902, um restaurante que foi o primeiro point do bairro: O Mère Louise, instalado dentro do Hotel da Egrejinha. 

Louise Chabas, chegou ao Brasil vinda da França, no fim do século 19. Mal chegou, já chamou a atenção por ser a primeira mulher branca a vender tripas (e que tripas, diziam!) na banca do mercado municipal: 

'As senhoras passavam pela minha quitanda, no Mercado, lançando-me olhares enraivecidos, «porque eu rebaixava a cór branca.'

Quando inaugurou, Copacabana ainda não era um destino. Era longe do Centro, com algumas poucas construções e muitos pescadores. Para atrair a clientela, o restaurante e hotel, virou também um cabaré, aos moldes parisienses, com piano, cantoria e brincadeiras. 

Servia muita coisa do mar, como era de se esperar: ostras frescas, todo tipo de peixe, sempre tinha camarões e uma famosa garoupa à brasileira, mas também servia coisas bem francesas, como creme de aspargos, omeletes ao rum, queijo roquefort, e ainda coisas bem brasileiras como lombo de porco ou picadinho à baiana. Tudo regado a bons vinhos, sob o olhar atento de Louise Chabas em sua cadeira de balanço.

Nas palavras de Ruy Castro, em seu livro A noite do meu bem: a clientela era a nata letrada e boêmia do Rio: ministros, diplomatas, artistas e jornalistas, alguns deles acompanhados de ‘amigas’ ou admiradoras. 

Por falar em personalidades, o presidente Washington Luis, quando foi deposto e preso no forte de Copacabana, em 1930, pedia todas as suas refeições de lá.

No mesmo ano, no entanto, o restaurante entraria em falência e viraria, em seguida, o Cassino Atlântico, depois a TV Rio, um shopping center e hoje, voltando ao seu lugar na história, um grande hotel.

Veja o vídeo sobre o Mère Louise nas palavras da fundadora do Instituto Bazzar, Cristiana Beltrão.