O frege-moscas é uma espécie de avô do pé sujo, mas bem piorado, pois é de uma época em que o Rio de não tinha água encanada.
O nome deste sujinho já dá uma dica de como funcionava: frege, vem de frigir, fritar. Ou seja, as moscas distraídas, que voavam por ali, sobre batatas e bifes, viravam ingredientes do prato, preparado por um cozinheiro suado e com avental imundo.
A partir do século XIX, os frege-moscas eram a opção mais popular dos moradores do Rio de Janeiro e que não frequentavam casas de pasto, restaurantes e petisqueiras.
No clássico Dentro da Noite (1911), um livro de terror de um dos maiores cronistas do Rio de Janeiro de todos os tempos, João do Rio, a personagem (Armando) passeia pela Rua do Senado: “Iria comer um bife no frege”.
Seu nome deu origem ao famoso “mosca frita”, restaurante populares frequentado pelos universitários modernos.
Infelizmente não há imagens de frege-moscas, pois não era o tipo de lugar que mereceria a atenção dos fotógrafos da época, mas podemos ter uma ideia de como eram a partir de resenhas como essa, de J. Barreiros do jornal O Imparcial de 1928.
Eram “casas modestas, sem conforto e sem higiene, esparsas pelos bairros populares, onde havia uma mesa corrida de pinho sem toalha, e dois bancos que a ladeavam. À entrada, em franca exibição, um cozinheiro fritava sardinhas, preparava as iscas de fígado, com ou sem batatas, tendo mais duas ou três variedades que não iam além do feijão simples, de caldo à portuguesa e de uma estufada com legumes. Com quaisquer 500 réis fazia um operário uma refeição.”
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CRÉDITO DE IMAGENS:
“O Imparcial”, novembro de 1928.
