A água doce do Rio Carioca, no século XVI, era monopólio indígena e quem tentasse abastecer seu barco sem algum escambo era recebido “calorosamente” a flechadas. O ponto em que embarcações atracavam e a recolhiam era chamado de "aguada dos marinheiros".
Até 1673, quando foi concluída a primeira canalização dessa água que descia pelo Vale das Laranjeiras e desembocava onde veio a ser a Praia do Flamengo (desaparecida pelos recuos e aterros), a distribuição era feita em potes ou barris, no ombro dos índios livres ou escravizados e anunciada aos gritos “hy! hy!”, imitado, mais tarde, pelos escravos negros.
Ao longo do século XIX, inúmeros aquedutos e reservatórios foram sendo construídos a partir do Rio Carioca, levando água a vários pontos da cidade, que terminavam em bicas ou chafarizes.
A Bica da Rainha foi a primeira fonte de águas minerais registrada no Brasil, em 1830. O batismo veio da assiduidade da rainha D. Maria I, em busca das saudáveis “águas férreas” de sua nascente. Em 1938, a Bica foi tombada como “patrimônio histórico”, pelo Iphan.
Em 1935, três séculos depois do comércio das águas limpas do Rio Carioca entre imigrantes e índios, os moradores de Laranjeiras e do Catete ainda podiam comprar, de vendedores ambulantes que usavam carroças puxadas por burros, a água recolhida na Bica da Rainha, em galões de 15 litros. Logo, deixaria de ser potável, e o rio sumiria de vez.
