Estado do Rio: especiarias da Mata Atlântica

por Aureo Fernandes | fev 25, 2026 | Produtos

Estado do Rio: especiarias da Mata Atlântica

PACOVÁ BRANDO E POTENTE:

Em expedição à cidade de Paraty, conhecemos de perto o trabalho da agrônoma Danielle Sanfins, que busca trazer a biodiversidade da Mata Atlântica para a gastronomia.

Entre as inúmeras especiarias que cultiva, está o pacová.

Nativo da Mata Atlântica e abundante em Paraty, é da mesma família do cardamomo e pode ser encontrado embrenhado pelas matas de Paraty Cunha.

No seu jardim, Danielle cultiva duas espécies: a renealmia alpinia (que chamamos de pacová potente), perfumada e intensa, e a renealmia floribunda (o pacová brando), que tem sabor mais suave, adocicado e próximo do gosto do cardamomo, com leve toque cítrico, herbáceo e aberto.

Através de um processo cuidadoso, o pacová é extraído do fruto e usado como um tempero bastante versátil, seja no café, na farofa ou em sobremesas.

“Quase todo dia eu uso no café. Trituro o grão junto a semente e passo o café. Fica maravilhoso!” - diz Danielle.

PIMENTA LONGA:

A agrônoma também se dedica ao cultivo de outra planta nativa, a pimenta longa, uma especiaria com sabor forte e bem picante, mais do que o da pimenta do reino, apesar de serem da mesma família. Como não ocorre fora do Brasil e de alguns poucos pontos da América Central, é importante representante da biodiversidade do Rio de Janeiro.

Em seu quintal, está emaranhada com a amoreira e se desenvolve buscando luz.

Pode ser usada como as outras pimentas secas, em carnes, aves, peixes, molhos, saladas ou geleias.

Diz o folclore que ambos os pacovás têm um mistério: seus frutos amadurecem exatamente na Semana Santa, não importa que caia em março ou abril.

Danielle se orgulha da abundância do território de Paraty e, mais do que cultivar seus sabores, cultiva resistência:

“Nossa ideia é valorizar esses produtos da Mata Atlântica, mas sobretudo trabalhar com a preservação deles. São nativos, têm na mata".